O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou, na última sexta-feira (30), milhões de páginas de documentos relacionados às investigações de crimes sexuais contra o empresário Jeffrey Epstein. Os arquivos podem ser consultados publicamente no site da instituição.
A nova seleção de documentos, que inclui principalmente emails supostamente rascunhados, salvos ou trocados, inclui menções a uma série de figuras notáveis. Além de celebridades, atores, músicos, políticos e apresentadores, executivos do ramo da tecnologia aparecem nos arquivos. CEOs, cofundadores e engenheiros de grandes empresas tiveram contato com Epstein ou até mesmo teriam visitado uma das residências do financista.
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Por enquanto, nenhum dos nomes envolvidos faz parte das investigações e alguns deles já declararam que as citações são inverídicas, casos de Bill Gates e Elon Musk. Ainda assim, algumas presenças nos documentos viraram notícia mesmo fora do noticiário de tecnologia.
O que são os arquivos Epstein?
- Epstein, que morreu em 2019, é acusado de ser o líder de uma organização robusta de tráfico sexual e abuso infantil ao lado de Ghislaine Maxwell, então namorada e cúmplice nos crimes — ela foi condenada a 20 anos de prisão em 2022;
- O milionário aparentemente manteve o esquema durante anos sob o conhecimento de empresários, políticos e celebridades em geral, em especial em uma ilha no território das Ilhas Virgens Americanas, no Caribe, que foi palco de festas e reuniões com a presença dessas pessoas;
- O Departamento de Justiça dos DOJ reuniu ao longo das investigações mais de 6 milhões de páginas contendo documentos, mensagens, vídeos e imagens que relatam as atividades criminosas. Eles envolvem desde relatos explícitos até convites para pessoas influentes, passando por várias mensagens ainda sem nexo ou contexto;
- Parte dos documentos segue mantida em sigilo, mas o Congresso dos EUA obrigou a liberação do material, mesmo que de forma gradual — ação que pode ter um forte impacto sobre a gestão de Donald Trump, também citado diversas vezes em mensagens;
Figuras da tecnologia no escândalo
A citação de pessoas nos arquivos de Epstein não liga elas diretamente aos crimes do empresário — vários dos casos envolvem encontros profissionais e jantares de negócios, por exemplo. Ainda assim, alguns dos encontros foram marcados mesmo depois que as primeiras acusações e condenações contra Epstein foram reveladas.
Além disso, a veracidade de todas as mensagens também não foi confirmada, uma vez que algumas envolviam somente rascunhos e conversas com pessoas ainda não identificadas publicamente.
Confira, a seguir, quais foram os nomes da indústria citados desta vez e o posicionamento de cada um, caso já tenham se manifestado.
Elon Musk
Musk é um dos nomes mais badalados da última leva de arquivos. O dono da Tesla e do X (Twitter) enviou emails em ao menos duas oportunidades para Epstein entre 2012 e 2013 sobre a possibilidade de visitar a ilha de Epstein, questionando até quais seriam os dias em que ocorriam as “festas mais selvagens“.
Uma das possíveis visitas teria acontecido durante o Ano Novo, quando Musk estava no arquipélago com a então esposa, a atriz Talulah Riley. Epstein teria dito que “sempre há espaço” para Musk e ambos pareciam combinar a visita. Porém, os emails não confirmam se a viagem de fato chegou a acontecer, pois o próprio financista parecia não ter a agenda disponível.
Musk negou que manteve conexões com o criminoso e chegou a acusar Trump de participar do esquema, mas anteriormente disse que havia recusado as abordagens de Epstein — comportamento diferente do que mostram as atuais mensagens. No X, ele voltou a afirmar que “teve muito poucas correspondências” com o empresário e que “estava ciente que alguns emails podiam ser mal interpretados ou usados por detratores“.
Bill Gates
O cofundador e ex-CEO da Microsoft também foi mencionado novamente, mas de forma indireta. Um email de Epstein enviado para si mesmo em 2013 e destinada a uma pessoa identificada apenas como “Boris” alega que um dos homens mais ricos do mundo esteve envolvido em relações sexuais extraconjugais na ilha com “garotas russas”.
As mensagens até sugerem que Gates teria solicitado medicamentos para doenças sexualmente transmissíveis e que ele tentaria aplicá-las também de forma sorrateira na então esposa, Melinda. O casal se divorciou em 2021 e os laços com Epstein teriam sido um dos motivos da separação.
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Em uma nota, o porta-voz do criador do Windows chamou as alegações de “absolutamente absurdas e completamente falsas”. Ele ainda sugeriu uma possível extorsão ao alegar que as acusações seriam fruto da “frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e as medidas que ele tomaria para prendê-lo e difamá-lo“.
Sergey Brin
O cofundador do Google, Sergey Brin, é citado em arquivos. Ele teria visitado a ilha privada do financista, participado de jantares organizados por ele em outra residência e trocado emails com uma pessoa chamada “Maxwell” entre 2003 e 2007.
Até o momento, ele não se manifestou sobre as menções.
Jeff Bezos
O antigo CEO da Amazon foi rapidamente mencionado em um email de 2009 de uma socialite de Nova York chamada Peggy Siegal. Ela menciona que saiu da casa desse tal Maxwell e, na festa de comemoração do fim das gravações de um filme, encontrou por lá Bill Clinton e Bezos.
Reid Hoffman
O criador e ex-CEO do LinkedIn, Reid Hoffman também foi mencionado em arquivos. Ele teria sido listado como convidado de um encontro em um rancho de Epstein. Em um dos emails, há ainda a informação de que ele havia perdido o passaporte, posteriormente encontrado em uma sacola.
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Crítico de Trump e apoiador do partido Democrata, o empresário escreveu no X que “se arrepende profundamente” de “interagir com Epstein após a condenação”. Ele ainda prometeu que vai seguir solicitando a liberação completa dos arquivos.
Anteriormente, ele confirmou que esteve na ilha de Epstein para levantar fundos para uma fundação ligada ao MIT.
Richard Branson
O CEO do grupo Virgin, que já esteve presente no setor de turismo espacial, trocou emails com Epstein em 2013. Divulgações anteriores dos arquivos traziam fotos com a presença do empresário em encontros com o criminoso.
Branson menciona na conversa divulgada que “adoraria” se encontrar novamente com Epstein e pede que, da próxima vez, ele “leve o seu harém”. Branson ainda teria oferecido conselhos de relações públicas sobre como o colega poderia lidar na mídia com as condenações por abuso.
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Em nota, a equipe de Branson diz que “harém” foi um termo usado para pessoas adultas que fazem parte da equipe profissional de Epstein e que a palavra não seria usada caso ele soubesse do passado do empresário.
A declaração nega qualquer envolvimento nos crimes e explica que, após uma pesquisa sobre os acontecimentos, até recuou de uma doação que receberia do financista.
Leslie Benzies
Produtor de GTA e ex-presidente da Rockstar North, Leslie Benzies foi mencionado em relatos atribuídos a Sarah Ransome, uma das vítimas da rede de tráfico sexual. O atual chefe do estúdio Build a Rocket Boy teria mantido relações forçadas com a jovem em 2006.
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Também é mencionado o nome do atual responsável pela Rockstar North, Sam Houser, mas sem qualquer envolvimento nas acusações.
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Fonte ==> TecMundo