Microsoft perde US$ 360 bilhões em valor de mercado – 29/01/2026 – Economia

Executivo da Microsoft em pé à direita, gesticulando com as mãos durante apresentação. Ao fundo, logo colorido da Microsoft em fundo branco.

A Microsoft perdeu US$ 360 bilhões em valor de mercado após divulgar um forte aumento nos gastos com data centers, reacendendo temores em Wall Street sobre o volume de investimentos do Vale do Silício em infraestrutura de inteligência artificial.

As ações da empresa caíram 10% nesta quinta-feira (29), o pior desempenho diário desde o auge da pandemia de coronavírus, em 2020, reduzindo o valor de mercado da Microsoft para US$ 3,2 trilhões.

A queda ocorreu após a companhia informar um aumento de 66% nos gastos com data centers em relação ao ano anterior, elevando seu investimento em capital (capex) para US$ 37,5 bilhões nos três meses encerrados em dezembro.

A Microsoft também divulgou crescimento da área de computação em nuvem abaixo do esperado, embora o lucro líquido ajustado e a receita tenham superado as previsões dos analistas.

A venda das ações mostra como investidores seguem apreensivos com os gastos elevados das big techs para fornecer o poder computacional necessário ao treinamento e à operação de grandes modelos de IA.

Embora Wall Street esteja entusiasmada com o potencial da inteligência artificial para transformar diversos setores, ainda não está claro quanto tempo levará para que esses custos tragam retorno.

“O volume de gastos é tão alto que há um foco quase cirúrgico em como isso será monetizado”, afirmou Venu Krishna, chefe de estratégia de ações nos EUA do Barclays.

O movimento negativo se espalhou pelo mercado nesta quinta, acompanhando a queda das ações da Microsoft. O Nasdaq Composite, com forte peso de empresas de tecnologia, chegou a recuar 2,6% pela manhã, antes de reduzir as perdas para 1,3% no início da tarde. O S&P 500, mais amplo, caía 0,6%.

Investidores também demonstraram preocupação com a dependência excessiva da Microsoft em relação à OpenAI. Os resultados divulgados nesta quarta-feira (28) mostraram que 45% dos contratos futuros de nuvem da empresa, avaliado em US$ 625 bilhões, vêm da dona do ChatGPT.

“O mercado está atento ao grau de exposição da Microsoft à OpenAI”, disse Manish Kabra, chefe de estratégia de ações nos EUA do Société Générale.

O Financial Times informou nesta quarta que a OpenAI está em negociações para levantar cerca de US$ 40 bilhões em uma nova rodada de financiamento, com participação de Nvidia, Microsoft e Amazon —três de seus maiores provedores de infraestrutura.

A notícia reacendeu receios sobre financiamento circular no setor de IA. A Oracle, que firmou um acordo de US$ 300 bilhões em data centers com a OpenAI, caiu 4,5% nesta quinta-feira, enquanto a Nvidia recuou 0,8%.

A Meta seguiu na direção oposta e avançou 10,2% após divulgar resultados acima das expectativas, evidenciando uma crescente diferenciação entre as grandes empresas de tecnologia.

“As correlações entre as ações das big techs atingiram mínimas históricas”, disse Krishna, do Barclays.

“Entramos em uma nova fase da narrativa da IA”, acrescentou. “O mercado deixou a ideia de que todos se beneficiariam igualmente e passou a distinguir vencedores e perdedores, tentando avaliar qual modelo de negócios tem mais vantagem.”

Os preços do petróleo subiram nesta quinta, com investidores reagindo ao aumento das ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã.

Os metais preciosos, que haviam subido fortemente pela manhã, inverteram o movimento após a abertura de Nova York. Alguns analistas sugerem que investidores podem estar vendendo esses ativos para cobrir chamadas de margem relacionadas a ações de tecnologia.

O sentimento negativo também foi reforçado por dados que esfriaram as expectativas de forte crescimento da economia americana no quarto trimestre de 2025.

A projeção do Federal Reserve de Atlanta para o crescimento no período, medida pelo indicador GDPNow, caiu de uma taxa anualizada de 5,4% para 4,2% após um relatório comercial mostrar aumento das importações e queda das exportações em novembro, elevando o déficit para US$ 57 bilhões depois de meses de retração.

O governo Trump vinha apontando o crescimento acelerado da economia no segundo semestre de 2025 como prova do sucesso de sua política fiscal. Dados divulgados neste mês indicaram expansão de 4,4% no terceiro trimestre de 2025, levando o presidente dos EUA, Donald Trump, a descrever o país como “o mais quente do mundo”.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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