Mamutes e dinossauros eram mais lentos do que se pensava – 20/01/2026 – Ciência

Dois dinossauros saurópodes de pescoço longo caminham em terreno rochoso com vegetação rasteira. O sol se põe atrás de montanhas ao fundo, iluminando a cena com luz dourada.

Um estudo que revisou as estimativas de velocidade máxima de alguns dos maiores animais terrestres que já existiram concluiu que gigantes como os dinossauros saurópodes –caracterizados por seus pescoços e rabos compridos–, os mastodontes e os mamutes se moviam a velocidades significativamente menores do que se acreditava.

Participaram da pesquisa, publicada no dia 7 deste mês na revista Scientific Reports, cientistas das universidades de Queensland (Austrália), Helsinque (Finlândia), Granada e Madri (Espanha).

A velocidade de marcha dos animais depende de múltiplos fatores, incluindo o tipo de locomoção e a massa corporal.

Os animais plantígrados (que apoiam toda a planta do pé no chão ao caminhar) e graviportais (que pesam cerca de uma tonelada e têm patas adaptadas para suportar grandes pesos), são claramente mais lentos do que os animais digitígrados (que andam sobre os dedos) ou os ungulígrados (que andam sobre os cascos).

Além disso, a partir do peso de cem quilos, a velocidade máxima diminui progressivamente à medida que o tamanho do corpo aumenta. Um bom exemplo são os elefantes, os animais terrestres mais pesados, que não ultrapassam os 25 km/h.

Como a paleontologia estuda espécies extintas, não é possível observar o movimento das espécies, e portanto a estimativa de velocidade depende de modelos matemáticos. Até agora, esses modelos agrupavam animais com anatomias e modos de locomoção muito diferentes, levando a superestimações significativas.

“As equações tradicionais chegavam a exagerar a velocidade real dos elefantes modernos em até 70%, uma margem de erro incompatível com a reconstrução rigorosa do comportamento de espécies extintas”, explicaram os cientistas.

Para corrigir esse viés, a equipe desenvolveu novos cálculos baseados exclusivamente em dados empíricos de elefantes vivos, considerados os melhores análogos dos grandes vertebrados do passado.

Ao aplicar esses modelos, os resultados mostraram que o mamute-lanoso, com cerca de 6 toneladas, teria sido o mais rápido dos proboscídeos extintos, atingindo velocidades de pouco mais de 20 km/h. Em contraste, o enorme Mammut borsoni, que pesava até 16 toneladas, dificilmente ultrapassaria os 15 km/h.

O estudo analisou ainda a velocidade dos mamutes que habitavam a bacia do Orce, em Granada, na Espanha, como o Mammuthus meridionalis, espécie contemporânea dos primeiros humanos da Eurásia Ocidental, que se deslocaria a uma velocidade máxima de aproximadamente 18 km/h.

Os dinossauros gigantes revelaram-se ainda mais lentos, segundo os cientistas, que salientaram que o Argentinosaurus huinculensis, um dos maiores animais terrestres conhecidos, com cerca de 75 toneladas, não conseguiria ir além dos 10 km/h.

Na Europa, o Turiasaurus riodevensis, encontrado na província espanhola de Teruel e com um peso estimado de 42 toneladas, atingia uma velocidade máxima de 11,8 km/h.



Fonte ==> Folha SP – TEC

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *