A astronauta canadense Jenni Gibbons passou a segunda-feira (6) na sala de controle da Nasa em Houston, nos Estados Unidos, apoiando à distância seus colegas da missão Artemis 2 durante seu voo ao redor da Lua.
Como astronauta de reserva da missão, Gibbons treinou ao lado do compatriota Jeremy Hansen, 50, e dos americanos Christina Koch, 47, Victor Glover, 49, e Reid Wiseman, 50. Ela ficou responsável pela comunicação com os tripulantes no sobrevoo lunar nesta segunda-feira (6).
Em uma entrevista à AFP, ela contou o impacto da viagem, a primeira missão tripulada à Lua desde a Apollo 17, em dezembro de 1972.
A emoção no centro de controle era palpável, e foi um momento especial, cheio de lágrimas, abraços e risadas, segundo Gibbons.
“A emoção na sala com as descrições que a tripulação transmitia era enorme. É provável que todos os controladores de voo tenham sido inspirados pelas missões Apollo e tenham trabalhado a vida inteira para ver isto.”
Com os olhos grudados nas janelas da nave espacial por quase sete horas, a equipe da missão quebrou recordes e fez história.
“Superamos o recorde de distância da Apollo 13, o ponto mais distante a que humanos já viajaram partindo do nosso planeta. Foi um momento especial”, afirmou Gibbons.
“Acho que, em determinado momento, as pessoas estavam chorando, agradecidas, rindo e abraçando. É um dos momentos que mais guardo com carinho da minha carreira.”
Por que o sobrevoo lunar foi histórico?
“A primeira coisa é que eles foram mais longe do nosso planeta do que qualquer outro antes”, explicou.
A Artemis 2 superou o recorde de distância estabelecido pela Apollo 13 em 1970: 400.171 km. Ao atingir o seu ponto mais distante, a 406,7 mil km da Terra, a tripulação conseguiu situar‑se mais de 6.600 quilômetros acima da marca histórica anterior.
“As outras missões Apollo voaram muito mais perto da Lua. Ver a perspectiva da nossa Terra de tão longe deve ter sido absolutamente incrível, e eles tiveram perspectivas do lado mais afastado da Lua que nunca tinha estado iluminado durante as missões Apollo”, acrescentou.
A equipe também enviou descrições de locais nunca antes vistos a olho nu, afirmou Gibbons. “Nós os vimos em imagens remotas, mas esta é a primeira vez que as câmeras mais sensíveis do mundo, que são os olhos humanos, puderam observá‑los.”
Qual foi a descrição mais impactante?
“Com a data do lançamento, a mecânica orbital foi tal que, ao final do sobrevoo lunar, a tripulação presenciou um eclipse”, lembrou a astronauta.
“Devido a disso, puderam ver todas aquelas características incríveis do espaço profundo e da Lua que não estavam ofuscadas pela luz solar: muitos detalhes realmente finos, inclusive detalhes da coroa do Sol quando ele passava atrás da Lua”, afirmou Gibbons.
Os astronautas utilizaram óculos para proteger os olhos durante o fenômeno.
Gibbons destacou que a tripulação conseguiu descrever o que foi observado quando o satélite estava escuro.
“Eles viram clarões de impacto na superfície, o que significa material que atinge a superfície lunar e cria novas crateras”, disse.
“É algo que não presenciamos com frequência. Os astronautas da Apollo talvez tenham mencionado alguns, mas para nós era uma prioridade. Então, o fato de eles [astronautas da Artemis 2] terem visto 4 ou 5 foi extraordinário.”
Fonte ==> Folha SP – TEC