Innospace e Cenipa investigam explosão de foguete no MA – 28/01/2026 – Ciência

Foguete é lançado de plataforma iluminada à noite, com chama intensa e fumaça visível. Área ao redor é coberta por vegetação densa e algumas estruturas próximas.

A empresa sul-coreana Innospace anunciou, na última segunda-feira (26), o início de uma investigação com o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos), da FAB (Força Aérea Brasileira), para apurar a causa da falha do foguete Hanbit-Nano no Maranhão. O voo marcaria o primeiro lançamento orbital da história em solo brasileiro.

Em torno de 30 segundos depois de decolar do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), em 22 de dezembro do ano passado, o veículo explodiu e caiu em uma zona de segurança, sem causar danos às instalações. Ninguém se feriu.

Em uma carta a acionistas, o CEO da Innospace, Kim Soo-Jong, afirmou que logo após a tentativa de lançamento, o Brasil entrou em um período de recesso em razão do Natal e das férias de verão, limitando os trabalhos. Isso, segundo ele, levou inicialmente a uma análise da própria empresa.

Procurada nesta terça-feira (27) pela Folha, a Força Aérea Brasileira declarou que “desde a notificação do infortúnio espacial envolvendo o artefato Hanbit-Nano […] iniciou-se uma investigação”.

Ao ser perguntada acerca da declaração do CEO sobre a investigação conjunta com a entidade brasileira ter tido início só agora, a FAB respondeu com a mesma nota que havia enviado anteriormente.

Segundo nota da AEB (Agência Espacial Brasileira), o Cenipa disse à Innospace que objetivo da análise é identificar a causa técnica da falha e “aprimorar a segurança e as taxas de sucesso de lançamentos futuros”. Não há intenção, ainda de acordo com a nota, de “determinar responsabilidade legal, culpa ou obrigações jurídicas” e o caso é tratado como um incidente, não um acidente.

A investigação consistirá em uma revisão dos dados de telemetria e rastreamento do voo, das informações de sistemas de solo e dos registros de lançamento e operações.

Somente quando houver a conclusão desse trabalho e a ação de medidas corretivas, deve ser agendada uma nova tentativa de lançamento.

Ainda no fim do ano passado, o CEO mencionou que a empresa planejava fazer uma nova tentativa neste primeiro semestre.

Como foi o lançamento

O lançamento se iniciou às 22h13 de 22 de dezembro de 2025, e foram registradas as etapas de superação da velocidade do som (Mach 1) e o momento de máxima pressão aerodinâmica, quando a imagem foi cortada para o centro de controle e surgiu na tela a informação da anomalia. O veículo foi perdido e a transmissão foi cortada logo após a falha.

O Hanbit-Nano é um foguete de dois estágios e 21 metros de comprimento. O primeiro deles é movido por um motor híbrido, que combina parafina e oxigênio líquido —a combinação torna suas operações mais simples. Já o segundo conta com um motor movido a metano e oxigênio líquidos. Aparentemente, não houve sequer chance de testar o segundo estágio em voo, com a falha prematura. As cargas úteis embarcadas (cinco nanossatélites brasileiros e três experimentos) também foram perdidos.

Com a falha, o lançamento se juntou a outras três tentativas do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites), realizadas em 1997, 1999 e 2003, que também fracassaram em atingir a órbita.

Antes, a Innospace já havia lançado, também de Alcântara, o Hanbit-TLV, um protótipo menor, de estágio único, em março de 2023. Com perfil suborbital, o voo tinha por objetivo justamente testar os sistemas que viriam a ser incorporados ao primeiro estágio do Hanbit-Nano. Naquela ocasião, o lançamento foi bem-sucedido.



Fonte ==> Folha SP – TEC

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *