Às vezes, pesquisadores encontram uma única pegada de um dinossauro. Outras vezes, deparam-se com uma trilha delas. Mas identificar a que espécie cada uma delas pertence tem sido difícil.
Em um artigo publicado no último dia 26 no periódico PNAS, cientistas propuseram um método com uso de inteligência artificial para tentar facilitar essa tarefa.
“Isso é importante porque fornece uma maneira objetiva de classificar e comparar pegadas, reduzindo a dependência da interpretação humana subjetiva”, disse o físico Gregor Hartmann, do centro de pesquisa Helmholtz-Zentrum Berlin (Alemanha), principal autor da pesquisa.
“Associar uma pegada ao seu criador é um enorme desafio, e os paleontólogos vêm discutindo sobre isso há gerações”, afirmou o paleontólogo Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo (Escócia), também autor do estudo.
Mais abundantes do que ossos ou garras fossilizadas, as pegadas podem revelar muito sobre os animais extintos há milhões de anos, a exemplo do tipo de ambiente que uma criatura habitava e se outras espécies compartilhavam o mesmo espaço.
O novo método foi aprimorado por meio da análise de 1.974 silhuetas de pegadas. A IA identificou oito características que diferenciam essas marcas: carga e forma geral, refletindo a área de contato do pé com o solo; a posição da carga; a distância entre os dedos; como os dedos se ligam ao pé; a posição do calcanhar; a carga do calcanhar; a ênfase relativa dos dedos em relação ao calcanhar; e a discrepância de forma entre os lados esquerdo e direito da pegada.
Muitas das pegadas já haviam sido identificadas por especialistas como pertencentes a um tipo específico de dinossauro. Depois que o algoritmo identificou as características que permitem diferenciá-las, os especialistas mapearam como elas correspondiam aos vários tipos de dinossauros aos quais as marcas são atribuídas, a fim de orientar a identificação de pegadas futuras.
“A forma de uma pegada depende de muitos fatores, incluindo o que o dinossauro estava fazendo naquele momento, como caminhar, correr, pular ou até mesmo nadar, a umidade e o tipo de superfície, como a pegada foi enterrada por sedimentos e como foi alterada pela erosão ao longo de milhões de anos. Como resultado, o mesmo dinossauro pode deixar pegadas com aparências muito diferentes”, explicou Hartmann.
Há ainda tamanhos distintos. “A variação de tamanho pode ser bastante extrema, desde pequenas pegadas de carnívoros, mais ou menos do tamanho de rastros de uma galinha, até pegadas de dinossauros saurópodes de pescoço longo”, disse Brusatte.
O paleontólogo afirmou só se lembrar de um caso em que um pesquisador encontrou um esqueleto de dinossauro no final de uma trilha de pegadas deixada pelo próprio animal. “O que significa que, se encontrarmos pegadas, precisamos bancar o detetive e identificar qual dinossauro as fez. E para fazer isso, fazemos a mesma coisa que o príncipe em Cinderela quando ele encaixou o pé da Cinderela no sapatinho de cristal: tentamos encontrar um pé de dinossauro que caiba na pegada.”
Fonte ==> Folha SP – TEC