O ensaio para a Artemis 2, que levará humanos de volta aos arredores da Lua, ocorre durante esta segunda-feira (2), no Kennedy Space Center, na Flórida, nos Estados Unidos. Parte do ensaio foi parado por vazamentos que excediam o limite estabelecido, mas, no final da tarde, os testes foram retomados.
O ensaio em questão se trata de um procedimento chamado de “wet dress”, que basicamente é um ensaio muito próximo do que vai realmente ocorrer no dia do lançamento, mas sem a presença dos astronautas da Artemis 2.
Durante a tarde, as atualizações apontavam que estava sendo realizado o resfriamento das linhas de hidrogênio líquido, ação feita antes do abastecimento do hidrogênio líquido em si, que está a cerca de -252°C. Em seguida, seria feito o preenchimento rápido de hidrogênio líquido e, depois, operações com oxigênio líquido.
Porém, a Nasa apontou que foi interrompido o fluxo de hidrogênio líquido, da cauda para o estágio principal do foguete, após serem detectados vazamentos que excedem o limite permitido. “A interrupção do fluxo permite que os engenheiros realizem procedimentos de solução de problemas que foram desenvolvidos após a Artemis 1”, diz a agência norte-americana, em nota.
Segundo a Nasa, porém, o fluxo de oxigênio líquido para o estágio principal permaneceu ativo.
O abastecimento de hidrogênio líquido chegou a ser reiniciado, mas a Nasa afirmou que a correção aplicada não teve sucesso. A agência disse que, com isso, as transmissões de hidrogênio líquido ao estágio principal e ao superior permaneceriam paradas até que a equipe da Nasa definisse o que fazer.
Porém, no fim da tarde, próximo a 18h (horário de Brasília), a Nasa anunciou que o abastecimento rápido de hidrogênio líquido tinha sido, finalmente, restabelecido.
Até cerca de 19h15 desta segunda-feira, os processos de abastecimento da nave estavam avançando. Nesse momento do teste, o estágio superior está sendo abastecido rapidamente de hidrogênio líquido e está em fase de reabastecimento de oxigênio líquido. Já no estágio principal, hidrogênio e oxigênio líquidos estão em reabastecimento, ação que mantém os tanques em níveis propícios para voo ao realizar a suplementação de qualquer tipo de propelente perdido por evaporação.
Quando todos os estágios estiverem em modo de reabastecimento, passa-se à etapa de fechamento da Órion, o módulo da tripulação da Artemis 2.
Inicialmente, a Nasa estimava que a janela de lançamento simulado para o ensaio começaria às 23h (horário de Brasília).
Neste mês, o calendário da agência espacial para lançamento da Artemis 2 tem os dias 8, 10 e 11. As outras datas são em março e abril.
Segundo a Nasa, nesse teste haverá, por exemplo, carregamento de propelente líquido criogênico nos tanques do foguete da Artemis. Faz parte do processo também uma contagem regressiva do lançamento, com demonstração da paralisação e reinício do relógio, caso necessário, além da drenagem dos tanques de combustíveis para cancelamento de procedimentos.
A Nasa aponta, por exemplo, que faz parte do ensaio a contagem regressiva para uma decolagem até T-1 minuto e 30 segundos (ou seja, momento no qual faltaria 1 minuto e 30 segundos para o lançamento). Nesse momento, o relógio será pausado por até três minutos. O mesmo acontecerá quando o relógio chegar a T-33 segundos, quando ele será pausado e retornará a T-10 minutos (ou seja, o cronometro retornará a dez minutos antes da decolagem).
“Esse processo simula condições do mundo real, incluindo cenários onde um lançamento pode ser cancelado devido a problemas técnicos ou climáticos. Ao final do teste, a equipe drenará o propelente e revisará todos os dados antes de definir uma data oficial para o lançamento”, diz a Nasa, em nota em seu site.
Mesmo sem a presença dos astronautas, quase todos os procedimentos de voo estão presentes no ensaio.
Uma outra etapa presente no “wet dress” é o preenchimento da Órion e do foguete com nitrogênio gasoso, um gás inerte, medida que busca proteger a missão contra riscos de incêndio. Isso ocorre porque o ar normal é rico em oxigênio, que por sua vez é inflamável.
Na Flórida, começou a configuração do foguete SLS (Sistema de Lançamento Espacial) e da nave espacial Orion com nitrogênio gasoso, uma etapa importante para mitigar riscos de incêndio, proteger os sistemas da nave espacial e garantir a segurança da missão.
Segundo a Nasa, o processo de retirada de oxigênio também contaminante, como umidade e partículas, de entrar em sistemas sensíveis da missão, o que mantém equipamentos de propulsão e suporte à vida limpos e estáveis, “criando um ambiente não reativo que protege o hardware e minimiza reações químicas durante a contagem regressiva e a ascensão”.
Fonte ==> Folha SP – TEC