Artemis 2: o que astronautas trazem de viagem à Lua – 10/04/2026 – Ciência

Metade da superfície da Lua visível em detalhe, mostrando crateras e relevo sob iluminação lateral contra fundo escuro.

A equipe da missão Artemis 2 afirmou, enquanto se aproxima o momento de retorno ao planeta Terra, ter “muitas outras fotografias” e “muitas outras histórias” para compartilhar com o mundo.

Os quatro astronautas à bordo da espaçonave Orion completaram a missão em torno da Lua e devem chegar à costa de San Diego, nos Estados Unidos, por volta das 21h (horário de Brasília) desta sexta-feira (10).

Em conversa com jornalistas, o piloto da missão, Victor Glover, afirmou que a equipe estava empolgada para compartilhar com o mundo o que viu.

Foi a primeira vez que a equipe falou com jornalistas desde a histórica trajetória em torno da Lua que os levou mais longe do planeta Terra do que todas as outras missões tripuladas.

Quando questionado por jornalistas na quarta-feira (9) à noite sobre a reentrada no planeta Terra, Glover afirmou: “Nós precisamos voltar. Há um monte de dados que vocês já viram, mas a parte boa está voltando com a gente”.

Ele acrescentou que a equipe tem “mais dois dias” antes de começar a processar o que eles passaram.

“Eu vou pensar sobre isso e falar sobre todas essas coisas pelo resto da minha vida”, disse Glover.

A espaçonave Orion, da missão Artemis 2, quebrou o recorde de viagem tripulada à Lua às 14h56 no horário de Brasília de segunda-feira (6), superando a marca de 400 mil km estabelecida desde 1970 pela missão Apollo 13.

A Orion não tinha como objetivo pousar na Lua, mas sim sobrevoar seu lado oculto, o lado que nunca é visível da Terra. Satélites já haviam fotografado o lado oculto anteriormente, mas os astronautas foram os primeiros humanos a observar essas partes da superfície lunar, com suas vastas crateras e planícies de lava (segundo cientistas, o polo sul da Lua já foi coberto por um oceano de rocha derretida).

Logo após o sobrevoo, o presidente americano, Donald Trump, conversou com a equipe da Orion e os parabenizou: “Hoje, vocês fizeram história e deixaram toda a América muito orgulhosa, incrivelmente orgulhosa”.

Durante a mais recente coletiva de imprensa virtual, no Centro Espacial Johnson da Nasa (agência espacial americana), em Houston, nos Estados Unidos, os quatro astronautas participaram novamente de uma transmissão ao vivo, com um microfone flutuando entre eles.

Eles responderam a perguntas dos repórteres com atrasos consideráveis (por causa do tempo que leva para a informação ir e voltar).

O Los Angeles Times perguntou à tripulação sobre os 40 minutos de “profunda solidão” durante os quais perderam contato com a Terra.

O comandante da equipe, Reid Wiseman, disse que a tripulação tinha muito trabalho científico a fazer e que aquelas eram “provavelmente as observações lunares mais importantes para nossa equipe de geologia”.

“Mas nós quatro paramos por um instante, compartilhamos biscoitos de bordo [‘maple biscuits’, em inglês] que Jeremy [Hansen] havia trazido e dedicamos uns 3 ou 4 minutos, como tripulação, para refletir sobre onde estávamos”, disse Wiseman.

Para Glover, o “maior presente” da missão foi ver um eclipse solar.

Para Wiseman, por sua vez, o ápice foi quando sua equipe deu a uma cratera lunar o nome de sua falecida esposa, Carroll Wiseman, que morreu em decorrência de um câncer em 2020.

“Eu acho que quando Jeremy escreveu o nome de Carroll… Eu acho que foi quando eu fui tomado pela emoção e olhei para o lado e vi Christina [Koch] chorando”, contou Wiseman. “Para mim, pessoalmente, aquele foi o ápice da missão.”

A equipe também disse que seus familiares se tornaram suas fontes de notícias do planeta Terra. Eles se tornaram “nossa fonte sobre como a missão se dava a partir da perspectiva da sociedade”, explica Wiseman, acrescentando que “obviamente eles eram todos enviesados”.

Questionada pela editora de ciência da BBC News, Rebecca Morelle, sobre o que a equipe vai mais sentir falta do espaço, Koch citou a “camaradagem”. E, por outro lado, não havia nada de que ela não fosse sentir falta.

“Nós não podemos explorar a fundo a menos que façamos algumas coisas inconvenientes, a menos que façamos alguns sacrifícios, a menos que nós tomemos alguns riscos. E todas essas coisas valem a pena”, disse Koch.

O maior teste ainda está por vir

A equipe agora tem à frente dias mais tranquilos de verificações e experimentos antes do desafio final: uma reentrada ardente na atmosfera a quase 40.000 km/h e um pouso de paraquedas no oceano Pacífico testarão o escudo térmico e os sistemas de recuperação da cápsula.

A reentrada na atmosfera da Terra é um momento que causa grande ansiedade. Afinal, na missão Artemis 1, danos inesperados ao escudo térmico geraram uma investigação que atrasou a missão atual em mais de um ano.

A cápsula da Orion vai atingir a atmosfera a cerca de 40.000 km/h. É um teste que nenhum simulador pode reproduzir e seu resultado irá definir o legado da missão, mais do que qualquer imagem do lado oculto da Lua.

Se a reentrada ocorrer sem problemas, o balanço da Artemis 2 terá sido realmente encorajador.

O foguete funcionou. A espaçonave funcionou. A tripulação controlou os sistemas com tranquilidade e competência. E a Nasa finalmente criou um plano viável para dar continuidade a este momento, sem precisar esperar três anos para começar de novo.

O pouso de astronautas na Lua em 2028 segue sendo apenas uma meta.

Mas a tranquilidade desta missão, do lançamento até o sobrevoo lunar, conduziu as probabilidades na direção certa.

A questão não é mais saber se a Orion pode voar, mas sim se os módulos de pouso, a cadência e a política podem manter seus avanços. Afinal, a espaçonave e a tripulação já fizeram as suas partes.



Fonte ==> Folha SP – TEC

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