iFood, 99Food e Keeta se dizem vítimas de espionagem no Brasil

entregadores motoboys ifood keeta 99

O Olhar Digital atualiza a “guerra” no setor de delivery no Brasil. A concorrência saiu dos aplicativos e chegou à polícia

Em julho de 2020, em São Paulo, milhares de entregadores protestaram contra as condições de trabalho do setor. Imagem: BW Press/Shutterstock

Compartilhe esta matéria

iFood

  • Em entrevista ao Olhar Digital, Rafael Corrêa, head de comunicação do iFood, descreveu um “ataque coordenado” de consultorias sediadas na China buscando informações confidenciais e privilegiadas da empresa brasileira.
  • Tudo começaria com com pedidos de pesquisa ou entrevistas online a funcionários, principalmente pelo LinkedIn e por e-mail. Essas solicitações, que começaram no primeiro semestre do ano passado, focavam em detalhes específicos da operação do iFood – como cálculo de margem de lucro, precificação e promoções com restaurantes.
  • Segundo o executivo, o iFood mapeou mais de 170 pedidos para funcionários das equipes comercial e de vendas, com ofertas de remuneração variando de US$ 200 a US$ 500 por hora de entrevista, chegando a US$ 1.000 para um alto executivo. Convertendo, teríamos algo entre R$ 1.000 e R$ 5.500.

Rafael Corrêa, head de comunicação do iFood

  • Em um deles, o convite é para uma chamada por Zoom com pagamento posterior à reunião. São solicitadas informações como o número de usuários do iFood e a lógica de precificação. A remuneração era de US$ 350 (quase R$ 1.900) por uma ou duas horas de conversa.
  • Em outra captura de tela, a mensagem questiona: “Você está familiarizado(a) com os planos de investimento que o Diego (Diego Barreto, CEO do iFood) mencionou recentemente? A quais novos projetos isso se refere dentro do iFood? Quais grandes mudanças são esperadas na estrutura organizacional e nas operações de negócio do iFood?”.
  • Em outro exemplo, o interesse é pela IA do iFood, o Ailo. Uma mulher se apresenta como representante de um escritório em Xangai e diz entrar em contato para uma consultoria sobre assistentes de IA. Ela diz que o objetivo da conversa é entender o progresso do Ailo e o feedback da tecnologia até aqui – tanto de consumidores quanto de comerciantes. Ela oferece até US$ 500 por hora (quase R$ 2.700).
Motoboy com mochila do iFood andando em avenida de São Paulo
iFood fala em “ataque coordenado” contra a empresa. (Imagem: Paulo Pinto/Agência Brasil)

Rafael Corrêa, head de comunicação do iFood

Investigação policial

Rafael Corrêa, head de comunicação do iFood

  • O iFood foi fundado em 2011. Segundo a empresa, são 60 milhões de usuários no Brasil. Uma pesquisa da klavi apontou que o iFood detinha 93% de participação no mercado brasileiro até o primeiro trimestre de 2025. Nas contas da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, essa participação passa de 80%. São mais de 400 mil estabelecimentos parceiros em mais de 1.500 cidades. Ainda de acordo com a empresa, entre abril de 2025 e março de 2026, os investimentos diretos do iFood somam R$ 17 bilhões.

99 Food e Keeta também se dizem vítimas de espionagem

99Food

99, em nota divulgada em outubro de 2025

  • A 99Food anunciou seu retorno ao Brasil em abril de 2025, depois de deixar o país em 2023. As operações foram reiniciadas em junho na cidade de Goiânia. Gradativamente, foi se expandindo. Hoje, está presente nos seguintes estados: Amapá, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo – na maior parte dos casos, os serviços se restringem às capitais. A 99Food pertence à chinesa DiDi Global. A promessa é de R$ 2 bilhões de investimento até junho de 2026.
Bag de motociclista da 99Food em cima de uma moto estacionada
99Food também se diz vítima de espionagem. (Imagem: Leonidas Santana/Shutterstock)

Keeta

Keeta, em nota enviada ao Olhar Digital

  • A Keeta é a plataforma de delivery da gigante chinesa Meituan. O aplicativo estreou no país em outubro do ano passado, começando por Santos e São Vicente, no litoral de São Paulo. Em dezembro, chegou à região metropolitana da capital paulista. Até o fim de 2025, a plataforma já possuía mais de 27 mil restaurantes cadastrados na Grande São Paulo e mantinha uma rede de 98.200 entregadores parceiros cadastrados na capital paulista. A empresa assumiu um compromisso total de R$ 5,6 bilhões para o Brasil em cinco anos.
Entregador da Keeta segurando sacolinha da marca com uma mão e celular com aplicativo da marca aberto na outra, ao lado de moto com mochilona também da marca
A Polícia Civil investiga ataques de espionagem coordenados contra a companhia e restaurantes em Santos, segundo a Keeta. (Imagem: Divulgação/Keeta)

O outro player: Rappi

  • Fundado em 2015 e presente no Brasil desde 2017, o aplicativo colombiano Rappi se diz o primeiro Super App da América Latina. Está presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru e Uruguai. Para os próximos anos, a Rappi diz que fará um aporte de R$ 1,4 bilhão até 2028. Até lá, a expectativa é de que a plataforma esteja presente em mais de 300 maiores municípios brasileiros.
entregador em bicicleta
Para os próximos anos, a Rappi diz que fará um aporte no Brasil de R$ 1,4 bilhão. (Imagem: Myriam B / Shutterstock.com)

99Food e Keeta tiveram queixas no começo da operação

Restaurantes reclamaram que ‘taxa zero’ da 99Food virou prejuízo

Estreia da Keeta no Brasil teve até protestos


Bruno Capozzi




Fonte ==> Olhar Digital

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Últimas Notícias

[the_ad id="48"]