Daniela de Carvalho Casal de Rey desenvolveu o Método DCR, estrutura voltada à segurança clínica que organiza avaliação, execução responsável, documentação e acompanhamento em procedimentos de estética avançada
A expansão dos procedimentos estéticos minimamente invasivos trouxe novas possibilidades para pacientes e profissionais, mas também aumentou a necessidade de discutir um aspecto que nem sempre aparece nas fotografias de antes e depois: a segurança ao longo de todo o atendimento.
Avaliação adequada, histórico do paciente, biossegurança, documentação, identificação dos produtos utilizados, orientação e acompanhamento são etapas que cercam um procedimento e podem ser tão importantes quanto sua execução.
Foi nesse contexto profissional que a biomédica Daniela de Carvalho Casal de Rey desenvolveu e sistematizou o Método DCR, uma estrutura de segurança clínica aplicada à estética avançada.
Diferentemente de uma nova técnica de aplicação ou de um procedimento estético específico, o DCR propõe organizar o atendimento a partir de três pilares: Diagnóstico de Risco, Controle de Processo e Rastreabilidade Clínica.
A lógica é acompanhar o ciclo completo do cuidado.
Antes do procedimento, o foco está na avaliação, no histórico, nas expectativas, na identificação de riscos e na decisão sobre a possibilidade de seguir com segurança. Durante o atendimento, entram fatores como ambiente, biossegurança, materiais, comunicação, documentos e organização da execução. Depois, o método direciona a atenção para registros, rastreabilidade, orientações, acompanhamento e evolução.
Para Daniela, segurança não deve depender exclusivamente da experiência individual ou da memória do profissional. A proposta do método é transformar diferentes etapas do atendimento em um processo organizado, documentável e capaz de ser acompanhado ao longo do tempo.
Da experiência profissional à construção de um método
A trajetória de Daniela na área de estética começou antes de sua formação em Biomedicina. Ela possui qualificação técnica em Estética pelo Senac São Paulo e atua no setor desde 2013. Sua atuação específica como biomédica teve início após a conclusão da graduação em Biomedicina e do registro profissional, em 2021.
Posteriormente, especializou-se em Biomedicina Estética e ampliou sua atuação para áreas como biossegurança, segurança do paciente, gestão de risco clínico, educação profissional e desenvolvimento acadêmico. Atualmente, cursa o Mestrado em Inteligência Artificial na Formação Docente pela Universidad Internacional Iberoamericana, iniciado em 2026 e com conclusão prevista para dezembro de 2027.
Atualmente, coordena uma Pós-Graduação Lato Sensu em Estética Avançada e também atua no desenvolvimento de programas educacionais e conteúdos relacionados à estética avançada e à segurança clínica.
Em 2026, Daniela reuniu a estrutura do Método DCR em um livro técnico dedicado ao tema.
A obra apresenta o método não como um protocolo único, mas como um sistema no qual diferentes ferramentas – como checklists, matrizes de risco, registros, consentimentos, mecanismos de rastreabilidade e indicadores – podem funcionar de maneira integrada.
A proposta parte de uma distinção importante: um checklist isolado não é um método, assim como um formulário ou protocolo isolado não constitui, por si só, um sistema de segurança.
No DCR, esses instrumentos são organizados dentro de uma lógica maior.
Diagnosticar, controlar e rastrear
O primeiro pilar, o Diagnóstico de Risco, concentra-se no momento anterior ao procedimento. A pergunta principal é se existem condições, informações, indicação e proporcionalidade suficientes para seguir.
O segundo, Controle de Processo, volta-se para a organização do atendimento: ambiente, equipe, materiais, comunicação, biossegurança e sequência operacional.
O terceiro, Rastreabilidade Clínica, procura garantir que aquilo que foi avaliado, decidido, utilizado, realizado e acompanhado permaneça registrado de maneira recuperável.
A combinação dos três pilares pretende reduzir a dependência de improvisação e tornar o processo clínico mais organizado, sem substituir a individualização de cada paciente.
Em outras palavras, o paciente continua sendo individualizado, mas o processo deixa de depender apenas da memória de quem realiza o atendimento.
Produção científica acompanha a mesma linha de trabalho
A preocupação com segurança também aparece na produção científica de Daniela.
Em 2026, a biomédica publicou dois artigos científicos revisados por pares. Um deles aborda biossegurança e prevenção de intercorrências em procedimentos estéticos minimamente invasivos. O segundo discute qualidade, biossegurança, rastreabilidade e segurança do paciente no diagnóstico laboratorial.
O Método DCR não promete eliminar intercorrências nem afirma produzir resultados clínicos superiores. A intenção é estruturar barreiras de segurança e documentação ao longo do atendimento.
Método ultrapassa a prática da própria autora
Desde seu lançamento, o Método DCR ampliou sua circulação para além da atuação direta de Daniela.
Componentes da metodologia já são utilizados por dezenas de profissionais e serviços ligados à estética, especialmente em atividades relacionadas à avaliação de risco, documentação, organização de processos e rastreabilidade.
O livro que apresenta o método também ultrapassou a marca de 200 exemplares vendidos.
Em setembro de 2026, Daniela apresentou a obra durante a Bienal do Livro de São Paulo, após ter sua participação aprovada pela UICLAP. No evento, realizou sessão de autógrafos no espaço da instituição e participou do Conexão UICLAP, destinado à apresentação de obras e à interação entre autores e o público.
A participação colocou o Método DCR diante de leitores e profissionais interessados em conhecer uma proposta que desloca parte da discussão estética do procedimento em si para a organização do cuidado que existe ao redor dele.
Novos desafios para a estética
Essa preocupação ganha relevância em um momento de transformação da própria área.
A estética contemporânea deixou de se concentrar apenas em intervenções isoladas e passou a lidar com tratamentos combinados, diferentes tecnologias e pacientes com histórias clínicas cada vez mais diversas.
Um dos novos cenários estudados por Daniela envolve as alterações faciais e corporais observadas após perdas expressivas de peso.
O crescimento do uso de terapias destinadas ao tratamento da obesidade também aumentou a atenção sobre mudanças de volume, flacidez, qualidade da pele e remodelação tecidual depois do emagrecimento.
Essas questões fazem parte atualmente de suas linhas de pesquisa e desenvolvimento profissional.
O Método DCR, no entanto, não foi criado especificamente para pacientes que passaram por emagrecimento ou utilizam medicamentos dessa classe. Seu campo é mais amplo: a organização da segurança clínica em estética avançada.
Da estética de resultado à estética de responsabilidade
Durante anos, grande parte da comunicação da estética foi construída em torno do resultado visual.
Mas, à medida que o setor cresce e os procedimentos se tornam mais sofisticados, outros elementos também passam a ocupar espaço: avaliação, documentação, rastreabilidade, biossegurança, acompanhamento e capacidade de aprender com a prática.
É nesse espaço que se insere o Método DCR.
O método também está preparado para uma nova etapa de expansão internacional, com lançamento previsto nos Estados Unidos.
Em vez de acrescentar uma nova técnica ao repertório da estética, Daniela desenvolveu uma estrutura voltada àquilo que acontece antes, durante e depois dos procedimentos.
O resultado continua importante.
Mais do que perguntar se o resultado ficou bom, o Método DCR propõe outra questão: todo o caminho até esse resultado foi seguro, organizado e devidamente documentado?